A Proverbo, a secção cultural do Sport Club Portugïes de Newark, New Jersey, trouxe este ano à sua Gala o cantor Manuel Freire, uma figura mítica da música portuguesa de intervenção que ficou “imortalizado” quando musicou um poema de António Gedeão chamado “Pedra Filosofal”. Numa festa elegante em que foram homenageadas três figuras da comunidade pelo seu contributo às artes e letras — Kymberly Costa, José Martins e Pedro Belo, do Millenium bcp — houve muitas canções, poesia e também muita saudade quando Manuel Freire cantou outros êxitos para além da Pedra Filosofal, como “Não Há Machado que Corte a Raiz ao Pensamento”. Actuou ainda o grupo Coral da Proverno, composto por membros desta secção Cultural responsável pela organização de dois Prémios Literários. O poeta João Martins, director da Proverbo, explicou à ComunidadesUSA a razão porque não houve terceira edição:
“Embora
a Proverbo se tenha tornado mais conhecida pela realização
dos Prémios Literários, a sua actividade começou bem antes
e não se resume apenas a essa iniciativa. Para além do
esforço e empenhamento que essa actividade requer,
realizá-la com a projecção que mostrou exige um esforço
financeiro significativo que tem sido difícil suportar. Os
recursos dos clubes e associações são limitados. Os
patrocínios externos são reduzidos. As empresas e entidades
precisam de entender que o seu sucesso passa também pelo
apoio a todas as actividades que são afirmação da presença
comunitária, uma forma de manter viva a comunidade
portuguesa”.
Quanto ao próximo ano, João Martins não deu nenhuma
certeza:
“O
Pémio literário e outras actividades terão lugar sempre que
a sua viabilidade económica estiver assegurada e não ponha
em causa outros projectos e actividades fundamentais do
Sport Club Português. Acontecerá sempre que as pessoas
quiserem”.
Os homenageados
E Porque razão
decidiu a Proverbo fazer este ano uma Gala e homenagear 3
personalidades? E porquê convidar Manuel Freire?
“Perante
as dificuldades reais de realizar o prémio literário, para
além das actividades regulares da proverbo, sentiu-se a
necessidade de celebra a “Língua Portuguesa em Festa” , uma
forma diferente de chamar a atenção para a vontade e
necessidade de promover e manter viva a língua portuguesa.
Em ambiente de festa vibrámos com a poesia e a música
trazidas pela voz do Manuel Freire.
Manuel Freire foi e é uma referência cultural em Portugal.
É poeta e autor musical de reconhecida qualidade. É o
presidente da Sociedade Portuguesa de Autores. Desde os
anos 60 tem sido um divulgador da poesia portuguesa, e foi
isso que nos trouxe: numa voz inconfundível deu voz a
alguns dos melhores poetas portugueses.
As
três pessoas distinguidas nesta Festa – Kimberly da Costa
Holton, José Martins, Pedro Belo – cada um na sua
actividade profissional, são exemplos de dedicação activa
no espírito Proverbo”.
Na
escola, no meio académico americano, Kimberly tem dedicado
o seu melhor esforço à criação institucional do centro de
estudos portugueses na Rutgers University.
José Martins é o “Senhor Comunidades”, a voz das das
escolas, das associações e clubes, das “pessoas da Ferry
Street” e das muitas ruas onde se fala e vive em português.
Pedro Belo é a figura empresarial que entendeu que o
sucesso económico passa também pelo sucesso das pessoas, e
estas não podem ser desligadas das suas raízes, dos seus
hábitos culturas, da sua história. Continuar a assumir a
portugalidade não é segregracionismo, é sinal de
riqueza!...
Foi intenção da Proverbo ir para além de mais uma placa...
Entenderam-no os distinguidos e os participantes na Festa.
Certamente o terá endendido a comunidade, gerando novos
valores que prolonguem o exemplo dado pelos
homenageados.
Martins
disse ainda que a Proverbo se mantém activa, nomeadamente
com teatro:
“Para
além dos encontros regulares, as “Sextas-feiras culturais”
do Sport Club Português, promoveram-se lançamentos de
livros em português ou sobre a realidade portuguesa,
incentivando o intercâmbio cultural com as universidades
apoiando e participando em conferências e encontros,
páginas literárias nos jornais comunitários; foi publidada
uma colectânea de autores comunitários “Todo o dia é de
poesia”, há uma peça de teatro “Foi pelo sonho que
fomos...”, foi a “Língua Portuguesa em Festa”!...
Queremos continuar os encontros regulares que desejamos
cada vez mais participados, desenvolver a actividade
editorial de autores comunitários que, doutra forma,
dificilmente terão oportunidade de publicar e ser
conhecidos e, seja através de prémios, galas ou festas,
continuar a celebrar o ser Portugês, em
Português!