Portugueses consideram que os partidos políticos e o meio empresarial são corruptos

Mais de metade dos portugueses considera que a corrupção afecta largamente a vida política do país, revela um estudo da organização Transparência Internacional (Transparency International-TI). O estudo foi apresentado em Berlim e procurou mostrar como a corrupção afecta a vida das pessoas comuns, em 62 países, tanto na forma como na extensão. O Barómetro Global da Corrupção 2006 analisou países da União Europeia e Europa de Leste, Sudoeste Europeu, África, América Latina, Ásia e Pacifico, América do Norte e Estados recentemente independentes.
Em relação a Portugal, o barómetro revelou que dois por cento das pessoas inquiridas admitiu ter pago um suborno nos últimos doze meses. Neste parâmetro, a Albânia, os Camarões, o Gabão e Marrocos são os países onde mais pessoas (40 por cento) admitiram ter pago subornos. Por outro lado, o barómetro revelou também que entre 51 a 70 por cento dos portugueses que participaram neste estudo consideram que a corrupção afecta largamente a vida política do país. Áustria, Dinamarca, Luxemburgo, Malásia, Suécia, Suiça, Países Baixos, Noruega e Finlândia são os países onde esta percentagem é mais baixa (entre 11 e 30%). Nesse sentido, 39 por cento dos portugueses entende que o actual Governo não tem tido uma acção efectiva no combate à corrupção, enquanto 10 por cento partilha da opinião que não só não têm combatido eficazmente como a encorajam. De uma maneira geral, de acordo com o barómetro, a maioria das pessoas têm uma má opinião da acção anti-corrupção do seu Governo. Apenas uma em cinco pessoas nos Estados Unidos da América (EUA) e na União Europeia (UE) considera ter um Governo eficaz no combate à corrupção, ao mesmo tempo que uma em cinco pessoas, nos EUA, e uma em sete, na UE, é da opinião que o seu actual Governo encoraja a corrupção. Dividindo a corrupção por sectores afectados, os portugueses não tiveram dúvidas em destacar os partidos políticos e o sector empresarial privado como os mais corruptos, com 3,9 e 3,8 pontos respectivamente, sendo que 1 ponto é o menos corrupto e 5 pontos significa extremamente corrupto. Logo a seguir vem a administração fiscal, com 3,6 pontos, o sistema legal/justiça, com 3,4 pontos, e o Parlamento e a polícia com 3,3 pontos.