revista comunidadesusa portuguesas emigrantes na américa portugal américa estados unidos mundo português revista dos portugueses na América emigração luso-americanos luso-descendentes nova iorque califórnia new jersey rhode island
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A única revista portuguesa nos Estados Unidos
The Portuguese-American Magazine in the USA
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Janeiro08peq2
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ANA LOPES
Uma portuguesa à conquista de Hollywood
Ana Lopes é mais uma portuguesa à conquista de Hollywood. Natural de Coimbra, filha de pais médicos (o pai, Pedro Paulo, dos Açores, a mãe, Leonor, de Coimbra) cresceu e viveu em S. Miguel até aos 18 anos, altura em que foi para Lisboa estudar Direito, curso que terminou em 2001. O bichinho do teatro e da representação nasceu cedo e ainda miúda começou a escrever e a representar pequenas peças e curtas metragens em vídeo, mas já idealizando grandes produções. Mas foi só quando se mudou para Lisboa que se envolveu mais a sério no mundo do espectáculo frequentando vários cursos de representação que a levariam até ao Grupo Cénico de Direito. Concluído o curso, e após algumas experiências no teatro e no cinema em Portugal, chegou à conclusão que o Direito e as leis não eram para si e decidiu vir para os Estados Unidos estudar representação e tentar a sua sorte em Hollywood. Depois de uma passagem pela New York Film Academy, Ana vive agora em Los Angeles onde vai fazendo pequenos papéis em filmes e teatro à espera da sua sorte: aparecer o primeiro grande papel como protagonista numa longa metragem. A julgar pela sua determinação, isso não deverá tardar.

Parece que o bichinho do espectáculo nasceu cedo. Tem alguém na família que seja músico ou actor?
Não, não tenho nenhum músico ou actor na família. A minha irmã tem uma óptima voz, mas não creio que ela esteja disposta a seguir uma carreira de música. A minha vontade de ser actriz surgiu das minhas próprias experiências, não por influência de alguém próximo. (continua)
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FRANCISCO AZEVEDO
Cônsul de Portugal em Newark, NJ: "Em democracia só participa quem vota"
Francisco Azevedo, o cônsul de Portugal em Newark, New Jersey, não precisou de muito tempo para passar a imagem de um diplomata competente e seguro de si, conhecedor da realidade da emigração e dos anseios das comunidades. Chegado a Newark em 2006 com um discurso pragmático e uma agenda precisa e delineada, alterou alguns relacionamentos com as comunidades e as suas associações, introduziu novos métodos de atendimento naquele que é o maior Consulado de Portugal nos Estados Unidos, facilitando e racionalizando o seu funcionamento, e promoveu um novo relacionamento nas áreas da cultura e da promoção económica junto das instituições portuguesas e americanas e dos parceiros sociais. A par disso, marcou também a diferença pela sua sensibilidade para as artes (ele mesmo é poeta e ávido consumidor de literatura), pois desde o início apoiou iniciativas culturais e promoveu os centro de Língua Portuguesa das Universidades de Rutgers e Kean, entre outras. A pouco tempo do encerramento do Consulado de Newark, que passará a escritório dependente de Newark, ComunidadesUSA quis saber a opinião de Francisco Azevedo sobre e esta outras questões. Aqui fica a entrevista.

A reestruturação consular iniciada o ano passado prevê o encerramento do Consulado Geral de New York e a sua passagem a escritório consular sob dependência do Consulado de Newark. Qual é a sua opinião acerca desta reestruturação e será que este Consulado está preparado para a afluência de público que se espera vindo de New York?
Nós somos executores de políticas definidas pelo governo, não sou propriamente um comentador dessas políticas, que nós executamos de uma forma rigorosa. No plano de reestruturação, tanto quanto se sabe, mantém-se esta estrutura do Consulado Geral em Newark. Actualmente, como sabe, New Jersey tem a maior comunidade portuguesa concentrada. A Califórnia tem muitos mais cidadãos, mas estão mais espalhados. Newark corresponde, em termos de rotina corrente, digamos a 15 mil actos consulares por ano. Nesta matéria é o maior Consulado português nos Estados Unidos. O movimento tem-se mantido de ano para ano. Quando não há um fluxo migratório a tendência do movimento consular é no sentido de baixar, mas no caso de Newark tem-se mantido e a tendência é mesmo para crescer. Esta área de abrangência tem a ver com a distribuição dos Estados. O Consulado em Newark tem jurisdição sobre todo o Estado de New Jersey, da Pensilvânia e do Delaware. O atendimento genérico deste universo destes três Estados é feito de uma forma absolutamente coordenada. Nós temos aqui um sistema instituído desde há muito tempo, um sistema de marcações, com atendimento prioritário nos casos previstos na lei, e absorvemos praticamente todos os pedidos, mesmo daquele cidadão que aqui chega sem marcação. Aqui não há listas de espera. O cidadão pode esperar um pouco mais, se não fez a marcação, mas é atendido de certeza absoluta nesse dia se houver espaço. Se não houver, é-lha dada a escolha do dia que melhor lhe convier. (continua)

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António Cá
Condenado à morte para respeitar a lei?
Quando em 1996 António Cá, cozinheiro de um restaurante em Bissau, recebeu o convite do então embaixador Rufino Mendes para vir para a América cozinhar na embaixada da Guiné nos Estados Unidos, foi como se lhe tivesse saído a lotaria. O jovem guineense tinha acabado de deixar o Biombo, a terra onde nasceu em 1966, e dava os primeiros passos numa carreira de chefe de cozinha na capital do país, longe das agruras da vida de agricultor dos tempos difíceis da infância e juventude. Olhava o futuro com esperança e optimismo, mas a hipótese de ir para os Estados Unidos superava todos os seus sonhos. A remota possibilidade, nunca sequer sonhada, de viver no país mais rico do mundo e poder trabalhar no que mais gostava para dar um futuro melhor à sua família tornou-se ali, de um momento para o outro, realidade. Bastava ele querer. Assim, e apesar de ter que deixar a sua jovem esposa, grávida do primeiro filho, não hesitou sabendo que em breve voltaria com dólares que certamente fariam a diferença num dos países mais pobres de África. Na cabeça sonhava dar uma vida melhor ao seu filho e proporcionar-lhe os pequenos confortos que ele não tivera na sua infância.
E assim António Cá embarcou feliz em direcção a Washington, com passaporte de serviço da Embaixada da Guiné-Bissau, disposto a trabalhar duro e depressa para amealhar dinheiro e mandar para a esposa. No princípio o sonho correu bem: todos gostavam da sua arte de culinária e o António tinha o lugar garantido como chefe na Embaixada. Tudo o que ganhava ia mandado para a família, e as coisas corriam bem.

A guerra civil na Guiné-Bissau
Mas este estava destinado a ser um sonho sem final feliz.
Em 1998 rebenta a guerra civil na Guiné-Bissau e a Embaixada em Washington, depois de alguns meses de incerteza, é obrigada a fechar, pois o país não podia responder aos compromissos financeiros. Os diplomatas regressaram à Guiné, como puderam, mas António Cá viu-se de repente sem dinheiro, sem trabalho, sem visto de permanência no Estados Unidos impossibilitado de regressar a casa, à Guiné. Apesar das adversidades, não se deixou abater e decidiu que, uma vez na terra da abundância, tinha que continuar a à procura do sonho americano.
(continua)
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