MENSAGEM
DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA ÀS COMUNIDADES POR OCASIÃO DO
DIA DE PORTUGAL
Caros Emigrantes,
Neste Dia de Portugal, quero dirigir a todas as Comunidades
Portuguesas espalhadas pelo Mundo uma saudação muito
calorosa e uma palavra de apreço pelo exemplo que
representam para o nosso País.
Por ocasião do primeiro aniversário da minha tomada de
posse como Presidente da República, desloquei-me ao
Luxemburgo, onde convivi de perto com a numerosa comunidade
portuguesa aí residente. Quis assinalar, com esse gesto, o
respeito e a admiração que merecem os nossos emigrantes e
suas famílias e a importância que lhes atribuo no contexto
da nação portuguesa.
Verifiquei, no Luxemburgo - como, de raesto, em muitas
outras ocasiões -, que as Comunidades Portuguesas não só se
encontram plenamente integradas nas respectivas sociedades
de acolhimento, como constituem um exemplo para todos.
Os emigrantes mostram-nos que não existem destinos
inevitáveis nem fatalidades irreversíveis e que é sempre
possível mudar o rumo da nossa vida. Com trabalho,
criatividade, espírito de risco. No fundo, com a mesma
ambição que nos levou a descobrir mundos novos e novas
gentes.
Abundam, no estrangeiro, casos de sucesso, exemplos de
portugueses e de luso-descendentes que se afirmam nas
sociedades onde residem e aí se destacam nos mais variados
domínios, desde a actividade empresarial ao mundo
académico, da investigação científica à cultura, das
profissões liberais à vida cívica. Exorto-os a prosseguirem
esse seu esforço, que deve incluir a mais-valia que é a
língua portuguesa.
Saudando o espírito de iniciativa dos nossos emigrantes,
anunciei, na minha deslocação ao Luxemburgo, a criação, com
o meu patrocínio, de um Prémio de Inovação destinado a
distinguir anualmente projectos apresentados por cidadãos
portugueses residentes no estrangeiro.
É meu firme propósito fazer o que estiver ao meu alcance
para que os emigrantes e os luso-descendentes não percam -
antes reforcem - os laços que os unem à terra de onde
partiram. Por isso, tenho procurado manter um contacto
directo com as Comunidades Portuguesas e acompanhar a
realidade da nossa diáspora.
Em breve, deslocar-me-ei aos Estados Unidos da América.
Quis reservar um espaço muito significativo dessa visita
para contactar de perto algumas das Comunidades Portuguesas
existentes nesse país.
Levo-lhes a mesma exortação que agora faço a todos os
emigrantes: não se esqueçam de que existe um País onde tudo
começou e que permanece vosso. Esse País é Portugal.
Não pensem apenas em Portugal enquanto origem mais ou menos
remota. Vejam-no também como destino, um País que muito
mudou e que estará sempre aberto para vos receber - tal
como para receber as vossas iniciativas e a experiência que
acumularam no estrangeiro.
Sei que nem sempre é fácil manter estes laços, e que o
afecto e a saudade podem não ser suficientes para assegurar
a preservação de elos sólidos entre os emigrantes e as suas
origens.
Há todo um conjunto de problemas práticos com que os
emigrantes se defrontam e de cuja resolução o Estado
português não pode alhear-se nem demitir-se.
Há que garantir estruturas institucionais que permitam aos
emigrantes manter e aprofundar os contactos com o seu país
de origem. É necessário que conheçam a realidade portuguesa
e acompanhem a sua evolução; percebam, por exemplo, que o
seu País oferece hoje novas oportunidades para a realização
de investimentos produtivos.
Do mesmo modo que os emigrantes, no seu próprio interesse e
no interesse de Portugal, devem continuar ligados ao seu
País de origem, é também essencial que se integrem de forma
plena nas comunidades em que residem e trabalham.
Participar na vida cívica dos países de destino é um
imperativo de cidadania. Quero, por isso, incentivar os
emigrantes a que aprofundem o seu envolvimento nas
sociedades que os acolheram.
A actividade cívica local, a participação em associações, o
estabelecimento de contactos com os responsáveis pelas
comunidades de destino são elementos essenciais para uma
saudável integração e para a própria afirmação da
extraordinária vitalidade das Comunidades Portuguesas em
todo o Mundo.
A cultura portuguesa muito deve aos nossos emigrantes. São
eles os guardiães da nossa Língua em vários pontos do
planeta. São eles que transmitem aos outros povos os
valores, as tradições, os saberes que constituem o núcleo
essencial da singular identidade portuguesa.
Graças a vós, Portugal está em toda a parte. Motivo
fundamental para, neste Dia de Camões, levar a todos os
emigrantes uma palavra de profunda admiração e
reconhecimento do Presidente da República Portuguesa.